As autoridades argentinas estão a investigar um caso insólito que aconteceu no passado sábado, dia 4, em Toledo, no centro da Argentina, depois de um instrutor se ter atirado de um avião em pleno voo, deixando uma aluna, de 22 anos, sozinha aos comandos da aeronave. Em declarações exclusivas ao 24horas, Jorge Roquette Cardoso, diretor do Aeródromo de Cascais, sublinha que o Cessna 150 é um dos modelos mais utilizados na formação de pilotos e que abrir a porta de uma aeronave deste tipo durante um voo não é uma tarefa simples.

O especialista mostrou-se surpreendido com a situação, considerando que um comportamento desta natureza é praticamente impossível de antecipar. "Os exames médicos e as avaliações psicológicas a que os pilotos estão sujeitos tornam praticamente impossível prever que alguém, com a postura e atitude de um instrutor de voo, fizesse uma coisa destas", afirmou.

Questionado sobre a possibilidade de as portas destas aeronaves terem sistemas de abertura mais difíceis durante o voo, Jorge Roquette Cardoso considera que essa solução não faria sentido: "Não, porque em caso de aterragem de emergência é fundamental que as portas possam ser abertas rapidamente para permitir a saída dos ocupantes."

Leandro Andrés Bertazzo (42), recorde-se, seguia a bordo de um Cessna 150 com a estudante Rosario quando, de forma inesperada, retirou o cinto de segurança, tirou os auscultadores, abriu a porta da aeronave e lançou-se para o exterior. Antes de saltar, terá dito à aluna: "Sabes o que tens de fazer, continua", revelou a estação argentina TN. Apesar do choque, a jovem conseguiu manter o controlo do avião e realizou uma aterragem em segurança, evitando qualquer dano na aeronave.

O corpo do instrutor foi encontrado pouco depois e o Ministério Público argentino já abriu uma investigação para apurar as circunstâncias da morte.