O ministro das Finanças manteve esta sexta-feira, dia 23, no Parlamento, que o Governo já fez "praticamente tudo" para responder à crise da habitação, mas avisou que os efeitos das medidas vão demorar a sentir-se.

Joaquim Miranda Sarmento falava na audição sobre a proposta de Orçamento do Estado para 2027, na generalidade, e respondia ao deputado do Chega, Eduardo Teixeira, que lhe atirou com a entrevista publicada hoje no Expresso. Nessa entrevista, o ministro afirmava que, na habitação, "o que podia ser feito foi praticamente tudo feito".

Confrontado, Miranda Sarmento acusou o deputado de ter lido apenas o título e repetiu a frase, sublinhando o advérbio: "Foi praticamente quase [sic] tudo feito". Ou seja, não está tudo feito, está praticamente.

O governante defendeu que, nos últimos dois anos e meio, o Executivo avançou com um conjunto significativo de medidas em três eixos: habitação pública, redução dos custos de construção para habitação a preços moderados e apoio ao arrendamento. Recordou ainda a garantia pública para jovens até aos 35 anos comprarem casa com crédito bancário e as isenções de IMT e Imposto do Selo na compra da primeira habitação própria e permanente por jovens.

"Construir casas demora tempo, colocá-las no mercado demora tempo", justificou, reconhecendo que ainda há caminho a percorrer. Ainda assim, mostrou-se convicto de que o aumento da oferta vai estabilizar os preços num horizonte próximo e garantiu que nenhuma das medidas agrava a crise: "Não me parece que agrave a crise, pelo contrário, reduz".

Na mesma audição, o ministro confirmou que o Governo quer começar a discutir em 2028 o desagravamento da derrama estadual de IRC paga pelas grandes empresas com lucros acima de 1,5 milhões de euros.