O movimento 'Transformar para Crescer', que integra a oposição interna do PAN, defendeu esta quinta-feira, dia 16, a saída de Inês de Sousa Real, de 46 anos, da liderança do partido e apelou à realização de um novo Congresso, acompanhado de eleições internas.

A posição surge depois de o Tribunal Constitucional (TC) ter anulado a eleição dos atuais órgãos dirigentes do PAN, realizada durante o congresso de dezembro de 2025.

Em comunicado, o movimento considera que o acórdão representa "o momento para que Inês de Sousa Real assuma responsabilidades políticas, apresente a sua demissão e permita ao partido iniciar um verdadeiro processo de renovação democrática".

O grupo é liderado por Carolina Pia, militante que apresentou a impugnação que deu origem à decisão do TC. Nas últimas eleições internas, Carolina Pia encabeçou a única lista concorrente contra a atual direção e recusou participar no congresso, alegando que não estavam garantidas as condições democráticas para o seu funcionamento.

Segundo a dirigente, o movimento representa cerca de 30 militantes ativos e outras três dezenas de antigos filiados.

Além da demissão da atual porta-voz, a oposição pretende que seja convocado um novo congresso, organizado por "uma comissão independente e idónea", com regras e prazos que assegurem "a participação democrática e universal de todos os filiados".

No comunicado, o movimento responsabiliza a atual direção pela perda de influência política do PAN e pelo enfraquecimento do partido.

Para os opositores, a liderança de Inês de Sousa Real é "a principal causa da degradação do projeto político do PAN e da crescente irrelevância eleitoral", acusando ainda a dirigente de nunca ter assumido responsabilidade pelos resultados obtidos, atribuindo-os sempre a fatores externos.

O grupo entende que a decisão do Tribunal Constitucional deve servir para recuperar "a democracia interna, a liberdade para se vocalizar opiniões divergentes, a garantia de igualdade de participação a todos os filiados, a transparência e a confiança dos militantes".

O acórdão do Tribunal Constitucional, datado de 13 de julho, declarou ilegais duas normas do regulamento do X Congresso Nacional do PAN e, por esse motivo, anulou a eleição da Comissão Política Nacional e da Comissão de Jurisdição Nacional, órgãos dos quais resultou a recondução de Inês de Sousa Real como porta-voz do partido.

Apesar da decisão, o TC esclareceu que não lhe cabe determinar a realização de um novo congresso, sublinhando que essa responsabilidade pertence aos órgãos internos do PAN, que deverão agora tomar as medidas necessárias para repor a legalidade.