A Polícia Judiciária (PJ) encontrou indícios da eventual prática dos crimes de abuso de poder e descaminho na investigação relacionada com um atrelado apreendido numa operação de combate ao tráfico de droga, que acabou nas instalações de um empreiteiro amigo do ministro da Administração Interna, Luís Neves, de 60 anos.

Os elementos recolhidos já foram comunicados ao procurador-geral da República, que ordenou a abertura de um inquérito.

O caso surgiu depois de se descobrir que um atrelado apreendido pela PJ, no âmbito de uma investigação criminal, foi transferido para a Construbarcelos, empresa de João Carvalho, amigo de Luís Neves. As primeiras diligências apontam para dúvidas sobre a forma como essa transferência foi feita e se respeitou todos os procedimentos previstos na lei.

As suspeitas de furto do atrelado perderam força durante a investigação. Ainda assim, a PJ considera existirem indícios suficientes para investigar a eventual prática dos crimes de abuso de poder e descaminho, cabendo agora ao Ministério Público (MP) apurar se essas suspeitas têm fundamento.

Por envolver um ministro em funções, o processo terá de ser conduzido por um procurador-geral adjunto do Tribunal da Relação de Lisboa, conforme determina a lei. Até ao momento, Luís Neves ainda não foi ouvido no âmbito do inquérito e, questionado sobre o caso, limitou-se a afirmar que, neste momento, não tem comentários a fazer.

A investigação irá também analisar os procedimentos adotados pela PJ na guarda de bens apreendidos, uma vez que, segundo fontes judiciais, não é habitual que este tipo de material fique à guarda de particulares.