O comunicado da Polícia Marítima sobre o casal suspeito de pedofilia apanhado a fotografar crianças despidas na praia de Monte Clérigo, em Aljezur, diz que o homem, de nacionalidade espanhola, foi identificado. Era o que faltava não ter sido. Só não diz – como o 24Horas avançou esta manhã – que apagou algumas fotos, devolveu-lhe o telemóvel com centenas de outras fotografias abjetas e o mandou embora com as provas do crime.
Um casal de espanhóis foi apanhado, no último sábado, a fotografar mulheres e crianças, na praia de Monte Clérigo, em Aljezur, no Algarve. O murmúrio de indignação entre os banhistas deu lugar à revolta. Várias pessoas cercaram o homem, tiraram-lhe o telemóvel, confrontaram-no com um sórdido arquivo digital de crianças pequenas a brincarem despidas à beira-mar – e chamaram as autoridades que, para espanto dos presentes, limitaram-se a identificá-lo, a apagaram algumas fotos e a devolverem-lhe o telemóvel com o resto das provas do crime.
Primeiro, chegou uma patrulha da GNR. Mas no areal a competência é da Polícia Marítima (PM). Mais de meia hora depois – minutos que pareceram horas –, lá chegou uma equipa da PM. O que se seguiu, segundo uma testemunha ouvida pelo 24Horas, é exemplar da impreparação, desleixo ou negligência de alguns agentes da autoridade perante crimes que requerem conhecimento.
A Polícia Marítima, em vez de ter detido o casal suspeito de pedofilia, apreender-lhe o telemóvel e participar imediatamente o caso ao magistrado de turno do Ministério Público, tratou o sucedido como uma simples infração de praia. Avisaram os pais das crianças e as mulheres fotografadas que deviam comparecer na Capitania de Lagos a fim de apresentarem queixa
O caso repugnante das fotos de crianças, algumas despidas, preenche um crime público de pornografia infantil, segundo um especialista em Direito Penal contactado pelo 24Horas, que não obriga à apresentação de queixa para prosseguimento criminal.
Agora, não há nada a fazer. Os suspeitos de pedofilia abandonaram o País – e mesmo que um dia sejam julgados à revelia não haverá maneira de os condenar porque a Polícia Marítima devolveu-lhes alegremente as provas do crime.

















