Marco António Costa desafia Luís Montenegro a procurar um entendimento preferencial com o PS para dar estabilidade ao Governo e acelerar as reformas. Em entrevista ao Expresso, o antigo braço-direito de Pedro Passos Coelho alerta que negociar alternadamente à esquerda e à direita provoca desgaste político e compromete a coerência da governação.
“O governo tem de escolher preferencialmente um parceiro”, afirma o ex-secretário de Estado da Segurança Social. Na sua avaliação, a procura de apoios “de porta em porta” cria diferenças entre as propostas apresentadas e os diplomas aprovados, deixando o executivo dependente das oscilações dos outros partidos perante as sondagens e a contestação nas ruas.
Marco António Costa prefere um compromisso com os socialistas, embora esclareça que não propõe um bloco central. Defende uma “convergência estratégica” em matérias essenciais à economia e à sociedade, capaz de assegurar previsibilidade à execução das reformas.
O antigo dirigente deposita expectativas em José Luís Carneiro, a quem reconhece sensatez e sentido patriótico, mas admite dúvidas sobre a disponibilidade interna dos socialistas. “Não sei se o PS o vai deixar”, observa, instando o PSD a desafiar o líder da oposição socialista para esse entendimento.
Sobre o Chega, recusa a diabolização do partido e sublinha a sua expressão eleitoral. Contudo, considera que a inconstância das suas posições dificulta uma relação estável. Também rejeita que o PS imponha a exclusão do partido das soluções políticas: os socialistas podem reclamar preferência nas matérias essenciais, mas não exclusividade.
A defesa de um parceiro parlamentar aproxima-o do diagnóstico de Passos Coelho, cuja liberdade de intervenção reivindica. Marco António Costa rejeita a existência de uma oposição interna organizada ao Governo e considera artificiais as polémicas em torno do ex-primeiro-ministro. Recorda que o PSD nasceu e se afirmou pelo pluralismo e insiste na tolerância e no respeito pelas vozes internas.

















