Durante anos, Angola e Moçambique foram as ‘galinhas dos ovos de ouro’ do BPI, tendo uma importância fundamental nos resultados apresentados. Agora, este banco português, hoje detido pelo espanhol CaixaBank, prepara-se para encerrar esse ciclo, com a saída de dois mercados que ajudaram a sustentar os seus resultados.

A dimensão da despedida mede-se em números: o Banco de Fomento Angola (BFA) e o Banco Comercial e de Investimentos (BCI) contribuíram com perto de 1200 milhões de euros para os resultados do BPI desde 2010, mais de 29 por cento dos lucros acumulados nesse período.

Em Angola, o BPI acordou em setembro a venda dos seus 33,35 por cento no BFA à Congolian Financial, do grupo Carrinho, sendo que o negócio prevê 388,5 milhões de euros em parcelas fixas, acrescidos de uma componente variável ligada aos dividendos de 2026. A concretização ficou sujeita às condições e autorizações previstas.

Segue-se agora Moçambique, onde o banco prepara a alienação de quase 36 por cento do BCI, e onde o Presidente Daniel Chapo defende a abertura dessa participação a cidadãos, empresas e investidores institucionais moçambicanos, estando em discussão uma colocação em bolsa.

O recuo fecha uma etapa marcante da presença financeira portuguesa em África. Mas o peso histórico dos ganhos não elimina as dificuldades recentes: em 2025, o contributo do BCI para as contas do BPI foi negativo em mais de 20 milhões de euros.