Uma denúncia anónima sobre alegado assédio laboral e contratações na Assembleia da República foi arquivada após a realização de um inquérito interno. O documento, com 17 páginas, visava sobretudo Hugo Tavares, adjunto da secretária-geral, e descrevia situações de pressão sobre funcionários e substituição de chefias.

A queixa chegou a José Pedro Aguiar-Branco em 20 de maio, através do grupo parlamentar do PS. O presidente do Parlamento determinou averiguações em junho, posteriormente convertidas em inquérito.

Segundo o seu gabinete, o auditor jurídico propôs o arquivamento por não terem sido confirmados os indícios denunciados. Aguiar-Branco pediu esclarecimentos adicionais, após os quais o auditor manteve a conclusão.

Funcionários contestam o desfecho e relatam episódios de intimidação, receando represálias. A denúncia questionava ainda o recurso à cedência de interesse público para recrutar pessoas externas para cargos de direção.

O gabinete da secretária-geral, Anabela Cabral Ferreira, remeteu os pedidos de esclarecimento para resposta posterior. A presidência recusou disponibilizar o relatório, invocando a existência de dados pessoais. O arquivamento encerrou o procedimento, mas não dissipou o mal-estar entre trabalhadores.