O Banco Central Europeu poderá voltar a aumentar as taxas de juro na reunião de 10 de setembro, perante a aceleração da inflação na zona euro. A perspetiva reforça hoje a pressão sobre as famílias que têm empréstimos à habitação e sobre o custo de novos financiamentos.

Joachim Nagel, presidente do Bundesbank e membro do conselho de governadores do BCE, assinalou que os mercados atribuem uma probabilidade superior a 95% a uma subida em setembro. A decisão formal ainda não foi tomada, mas o responsável considera que as expectativas traduzem a resposta mais provável da instituição.

A inflação da zona euro atingiu 3,3% em agosto, acima dos 2% registados um ano antes. A energia é o principal fator de pressão, com uma subida estimada dos preços de 14,3%, depois de 10,3% em julho.

O BCE já tinha aumentado a taxa de depósito em junho, para 2,25%. Isabel Schnabel, da comissão executiva, também defendeu um maior aperto monetário para aproximar a inflação da meta de 2%.

Em Portugal, a taxa média das novas operações de crédito à habitação, incluindo renegociações, subiu para 2,96% em julho. A evolução das Euribor repercute as expectativas dos mercados, com efeitos nas prestações dos contratos de taxa variável à medida que são atualizadas.