O presidente da FIFA, Gianni Infantino, continua sob forte pressão internacional, apesar de ter recuado no polémico plano de criar uma sociedade comercial destinada a atrair investidores privados para a exploração dos direitos comerciais da organização. A decisão de abandonar o projeto, anunciada após uma vaga de críticas, não foi suficiente para restaurar a confiança das principais confederações do futebol mundial.

A UEFA foi a mais contundente, acusando Infantino de ter quebrado promessas feitas quando chegou à presidência da FIFA, em 2016, nomeadamente o compromisso de transparência e de garantir que os recursos da organização permanecessem ao serviço das associações nacionais. Num comunicado duro, a confederação europeia considerou que o plano foi preparado sem transparência, de forma unilateral e ignorando as preocupações das federações, defendendo que o processo para recuperar a confiança “está apenas a começar”.

Também a Concacaf, que reúne os países da América do Norte, Central e Caraíbas, apelou a uma “revisão integral” da liderança da FIFA, considerando que uma proposta desta dimensão revelou falhas profundas na governação da organização. A Confederação Asiática saudou o abandono do projeto, enquanto as confederações africana, da Oceânia e da América do Sul pediram esclarecimentos adicionais e uma avaliação mais aprofundada.

O projeto previa a criação da FIFA Forward Enterprise, uma entidade responsável pela gestão dos direitos comerciais das competições da FIFA, incluindo o Campeonato do Mundo. Caso tivesse avançado, cada uma das 211 federações-membro receberia um pagamento inicial de 20 milhões de dólares, além de um reforço significativo das verbas distribuídas entre 2027 e 2030.

Embora Infantino continue a ser, para já, o único candidato às eleições de março de 2027, o episódio representa um dos momentos mais delicados do seu mandato, deixando expostas as crescentes divisões entre a liderança da FIFA e algumas das mais influentes confederações do futebol mundial.