Uma gigantesca vaga de desinformação nas redes sociais terá estado na origem da corrida de dezenas de milhares de migrantes marroquinos para Ceuta, que terminou com cerca de 90 mortos, na maioria por afogamento.

A investigação do New York Times descreve como vídeos de duas jovens que tinham chegado a nado ao enclave espanhol foram recortados e difundidos juntamente com a falsa informação de que uma decisão do Supremo Tribunal espanhol abrira as portas a quem alcançasse território europeu pelo mar.

Os vídeos ultrapassaram 32 milhões de visualizações, enquanto uma publicação destinada a desmentir a alegada abertura da fronteira teve menos de duas mil. Durante semanas, Facebook, Instagram, WhatsApp, TikTok e Telegram amplificaram rumores, aproveitados também por redes de tráfico de migrantes.

A 30 de julho, dezenas de milhares de pessoas avançaram para Ceuta, ultrapassando a capacidade das autoridades espanholas e marroquinas. Pelo menos 215 contas no Facebook terão divulgado exatamente a mesma mensagem falsa sobre a decisão judicial. A tragédia relança na Europa o debate sobre a responsabilidade das plataformas perante conteúdos capazes de provocar consequências no mundo real.