O regresso do Estado ao capital da REN poderá representar uma receita anual próxima dos 15 milhões de euros em dividendos. A Parpública prepara-se para adquirir uma posição de referência na empresa responsável pela Rede Elétrica Nacional, operação que devolverá o Estado a uma companhia que privatizou há mais de uma década.

A estimativa parte da política recente de remuneração aos acionistas da REN e da dimensão da participação que será adquirida. A empresa tem mantido uma distribuição regular de dividendos e o Plano Estratégico prevê um crescimento anual da remuneração aos acionistas.

Mas o negócio não se esgota na componente financeira. O Estado passa novamente a ter presença direta numa infraestrutura considerada estratégica, num momento em que a segurança energética e o controlo de redes críticas ganharam importância na Europa. A operação é especialmente relevante porque a chinesa State Grid continua a ser o maior acionista da REN, com 25%. O Estado regressa, assim, não apenas à procura de dividendos, mas também de influência num ativo essencial para a soberania energética portuguesa.