A contestação à crise da habitação alargou-se do Porto a Lisboa, com centenas de pessoas a acampar nas duas cidades para exigir medidas que permitam encontrar casa a preços acessíveis. Os manifestantes prometem manter a pressão até 31 de dezembro, caso não sejam apresentadas soluções, e admitem mesmo a possibilidade de uma greve geral.

No Porto, o protesto começou há cerca de uma semana, com a Praça D. João I transformada num acampamento improvisado. A intervenção policial contra os manifestantes contribuiu para aumentar a contestação, que chegou também à capital durante o último fim de semana. Em Lisboa, a mobilização decorreu na Praça do Rossio, sob o lema “Não dá mais? Então monta a tua tenda!".

Os participantes criticam o custo elevado das rendas e a dificuldade em encontrar habitação compatível com os rendimentos, defendendo que o problema exige respostas urgentes. No Porto, o movimento prolongou até 31 de dezembro o pré-aviso de manifestação. A porta-voz, Maria João Calisto, esclareceu, porém, que a intenção não é permanecer na rua até ao final do ano, mas conseguir um entendimento e medidas concretas. A prolongar-se o acampamento durante meses, afirmou, isso será sinal de que não houve uma resposta satisfatória.

Os organizadores decidiram ainda convidar formalmente o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, para se deslocar à Praça D. João I e conversar com os manifestantes. O autarca já tinha manifestado disponibilidade para reunir com o grupo e discutir as dificuldades no acesso à habitação.

Em Lisboa, centenas de pessoas continuavam no Rossio durante a madrugada, apesar dos apelos da polícia para abandonarem o local. As autoridades garantiram que o direito à manifestação seria respeitado, mas lembraram que a ocupação do espaço público está sujeita a regras e que o acampamento não poderia continuar indefinidamente.

Manifestantes exigem mudanças na habitação e admitem greve geral

Além de medidas para reduzir as dificuldades no acesso à habitação, o movimento exige o fim da reforma da lei das rendas, mais habitação pública e soluções que evitem despejos de pessoas sem alternativa. Os participantes em Lisboa consideram que as alterações ao arrendamento podem agravar a precariedade dos inquilinos e dificultar ainda mais a vida dos jovens que procuram casa.

Entre os manifestantes está também a ser discutida a possibilidade de uma greve geral. João Veloso, coorganizador da acampada, defendeu o envolvimento das centrais sindicais no combate à crise habitacional e ao aumento do custo de vida, apontando os salários baixos e as rendas elevadas como fatores que deixam muitos trabalhadores sem dinheiro disponível no final do mês.

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, é um dos principais alvos das críticas. Na semana passada, pediu aos manifestantes do Porto que não fossem “egoístas”, declaração que motivou respostas em cartazes espalhados pelo acampamento. Entre as mensagens exibidas estão críticas às dificuldades económicas e avisos de que os protestos só terminarão quando as reivindicações forem atendidas.

Créditos: @pereira_luis/X