Portugal gastou mais de 600 mil euros de verbas do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) no desenvolvimento de uma plataforma de comunicações seguras para membros e funcionários do Governo AD, mas o projeto acabou por ir para o 'lixo'.

A aplicação, concebida como uma espécie de 'WhatsApp do Governo', liderado por Luís Monenegro, teve uma utilização residual, segundo o Público, e chegou a suscitar dúvidas quanto à própria segurança da rede.

A ferramenta pretendia disponibilizar ao Executivo um canal próprio para a troca de mensagens e informação sensível, reduzindo a dependência de aplicações comerciais.

A segurança das comunicações era, precisamente, um dos principais argumentos para o investimento. Porém, a adesão ficou muito abaixo do esperado e o projeto acabou por ser abandonado. O Governo AD não renovou o contrato em 2025.

O fracasso pode agora ter consequências financeiras. A aplicação estava associada a uma meta do PRR e, como o investimento foi realizado com fundos europeus, Portugal poderá ter de prestar esclarecimentos a Bruxelas sobre o cumprimento dos compromissos assumidos.

A Comissão Europeia prevê cortes no financiamento quando metas financiadas pelo mecanismo europeu não são concretizadas ou são posteriormente revertidas.

O caso ganha ainda maior relevância por a plataforma ter sido criada justamente para reforçar a segurança das comunicações dentro do Estado.