O acordo comercial entre o Mercosul e a UE começa a apresentar resultados positivos para o agronegócio brasileiro. Nos primeiros cinco meses de aplicação provisória do tratado, entre maio e setembro, as exportações do setor para o mercado europeu cresceram 14,8% em valor, atingindo 12,21 mil milhões de dólares (cerca de 10,5 mil milhões de euros). Os dados foram divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil, por ocasião dos seis meses do início da aplicação do acordo, assinalados este domingo, dia 1.

No período analisado, o Brasil exportou 17,74 milhões de toneladas de produtos agropecuários e agroindustriais para os 27 países da União Europeia, um aumento de 8,1% face ao mesmo intervalo de 2025. Entre os setores com melhor desempenho estão a soja, as carnes, o mel e as frutas, que beneficiaram da ampliação das oportunidades comerciais e da redução gradual das tarifas de importação.

Um dos destaques foi o crescimento das exportações de mel, que avançaram 367% em valor. As vendas de carnes aumentaram 103,5%, enquanto o complexo da soja registou uma subida de 34,2%. O abacate brasileiro também ganhou espaço no mercado europeu, com um crescimento de 421,2% nas exportações. Já o óleo de milho apresentou uma expansão de 266,3%.

O acordo entre os dois blocos prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas alfandegárias para uma ampla variedade de produtos, criando condições mais favoráveis para a entrada de mercadorias sul-americanas no mercado europeu. Entre os produtos brasileiros contemplados estão o café, o açúcar, o etanol, o arroz, o mel, os cereais e diferentes tipos de carne. Alguns setores, no entanto, estão sujeitos a quotas específicas de importação.

Apesar do crescimento das exportações, o tratado também representa novos desafios para os produtores brasileiros. O acesso ao mercado europeu exige o cumprimento de normas sanitárias, ambientais e de rastreabilidade, sobretudo em cadeias de produção como a soja, a carne bovina, o café e a madeira. As regras europeias relacionadas com a desflorestação e a sustentabilidade podem exigir adaptações por parte das empresas e dos produtores rurais.

As importações brasileiras de produtos agropecuários provenientes da União Europeia também aumentaram, mas a balança comercial permaneceu favorável ao Brasil. Entre maio e setembro, o país registou um excedente de 10,54 mil milhões de dólares nas trocas do agronegócio com o bloco europeu, um crescimento de 17% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Assinado a 17 de janeiro de 2026, após mais de duas décadas de negociações, o acordo Mercosul-União Europeia reúne 31 países e abrange um mercado de aproximadamente 720 milhões de pessoas. A aplicação provisória da componente comercial começou a 1 de maio e representa uma das maiores iniciativas de integração económica entre os dois blocos, com potencial para ampliar o comércio, atrair investimentos e fortalecer a presença dos produtos brasileiros na Europa.