A candidatura de Higino Carneiro à presidência do MPLA foi rejeitada pela Comissão Nacional Preparatória do 9.º Congresso Ordinário daquele partido, na sequência da deteção de alegadas “graves irregularidades” na documentação apresentada.

Segundo o coordenador da subcomissão de Candidaturas, Job Capapinha, a análise às cerca de 19 mil fichas de subscrição entregues revelou que apenas 14 mil e 493 fichas eram consideradas válidas. Destas, somente 2.561 cumpriam os requisitos estatutários, enquanto 9.659 foram classificadas como inválidas e 2.273 consideradas falsas.

O relatório aponta ainda para assinaturas de alegados militantes não inscritos nos Comités de Ação do Partido, utilização de cartões de militante descontinuados, listas subscritas por uma única pessoa em nome de terceiros, documentos de identificação falsificados e uma declaração de apoio indevidamente atribuída a um membro do Bureau Político do MPLA, que negou ter assinado qualquer documento.

Perante a gravidade das alegadas irregularidades, foi anunciado que o processo será remetido aos órgãos competentes do MPLA, admitindo que os factos possam configurar responsabilidade criminal, nos termos dos estatutos do partido, do Regulamento Eleitoral e do Código de Ética Partidária. A decisão representa um duro revés para Higino Carneiro, cuja candidatura fica, assim, afastada da corrida à liderança do partido no poder em Angola.