Uma rede financeira ligada ao Kremlin terá movimentado mais de 6,9 mil milhões de dólares, cerca de 5,8 mil milhões de euros, através de bancos internacionais. Segundo uma investigação do Financial Times (FT), terão sido usadas empresas de fachada e documentação falsa para contornar as sanções aplicadas à Rússia.

No centro do esquema está a A7, uma empresa criada no final de 2024 pelo empresário moldavo Ilan Shor, alvo de sanções ocidentais, em parceria com o Promsvyazbank, um banco estatal russo. A empresa surgiu como uma forma de facilitar pagamentos internacionais depois de vários bancos russos terem sido afastados do sistema financeiro ocidental.

De acordo com o FT, a rede recorria a empresas localizadas em países como os Emirados Árabes Unidos e o Quirguistão e também em Hong Kong. Estas empresas recebiam o dinheiro e faziam pagamentos em nome de clientes russos. Mais de metade do dinheiro identificado acabou em contas bancárias na China.

Para evitar levantar suspeitas, terão sido criadas faturas falsas e alteradas informações sobre os produtos comprados. Num dos casos, uma operação de cerca de 510 mil dólares destinava-se à compra de 500 aparelhos de visão noturna para um cliente russo, mas os documentos indicavam que se tratava de vidro.

Bancos internacionais como Standard Chartered, Citigroup, Deutsche Bank, DBS e First Abu Dhabi Bank terão processado operações relacionadas com esta rede. Algumas instituições garantiram ao FT que cumprem as regras contra o branqueamento de capitais e que tomaram medidas quando identificaram contas suspeitas.

O valor total poderá ser ainda maior. Os documentos analisados pelo jornal fazem referência a outras 17.500 operações cujo montante não foi possível determinar. Algumas das transações identificadas estarão relacionadas com equipamento militar e compras para serviços de segurança russos.