A crescente procura de médicos na Arábia Saudita, no Dubai e na Irlanda poderá agravar as dificuldades do Serviço Nacional de Saúde caso o Governo reduza o valor pago aos clínicos tarefeiros. A Associação dos Médicos Prestadores de Serviço alerta para o risco de um “êxodo maciço” de profissionais, atraídos por salários e condições de trabalho mais vantajosos no estrangeiro.
Segundo o Portal da Transparência, existiam no início do ano 4592 médicos prestadores de serviços, quase 14% do total de clínicos do SNS e o dobro do número registado há uma década. Estes profissionais tornaram-se essenciais para preencher escalas de urgência que os quadros permanentes já não conseguem assegurar. Uma saída significativa poderá provocar novos constrangimentos, encerramentos temporários de serviços e tempos de espera ainda mais prolongados.
Nuno Sousa, presidente da associação, afirma que os tarefeiros recebem, em média, 35 euros por hora e considera incomportável qualquer redução. Há cerca de um ano, quase mil médicos chegaram a ameaçar abandonar as urgências perante a possibilidade de um corte próximo de 50%.
A portaria que regulamentará este trabalho está concluída e deverá ser publicada em outubro, depois de sucessivos adiamentos. Os prestadores exigem que o diploma tenha em conta a pressão internacional sobre estes profissionais e o impacto que a sua saída teria no SNS.
A associação defende igualmente a criação de uma via de integração no serviço público, através de contratos ajustados à experiência e à exigência do trabalho de urgência. Os médicos rejeitam propostas semelhantes às apresentadas a internos do primeiro ano e acusam a tutela de preparar alterações sem ouvir quem assegura diariamente serviços que, sem tarefeiros, poderão ficar sem resposta.

















