A petrolífera italiana Eni pretende produzir 40 mil toneladas de óleo vegetal em Angola até 2030, no âmbito da criação de uma cadeia de valor destinada aos biocombustíveis. O projeto representa uma tentativa de aproximar os sectores energético e agrícola, promovendo simultaneamente a diversificação económica e a geração de emprego.

A meta foi apresentada em Luanda por Guido Brusco, diretor de Operações para a área de Recursos Naturais da empresa, durante a Conferência Angola Oil & Gas. A Eni considera que Angola poderá aproveitar a experiência acumulada na indústria petrolífera para desenvolver novas fontes de energia e criar atividades complementares fora da exploração de crude.

A companhia está também envolvida num programa para distribuir um milhão de fogões melhorados, produzidos localmente, em seis províncias. A iniciativa procura reduzir o consumo de combustíveis tradicionais, melhorar as condições domésticas e estimular competências, empreendedorismo e postos de trabalho.

No sector petrolífero, a Eni destaca a taxa de sucesso de 82% obtida no Bloco 15/06. A presença da empresa foi ainda reforçada através da Azule Energy, parceria constituída com a BP em 2022 e que se tornou uma das maiores operadoras independentes presentes em Angola.

A produção de óleo vegetal poderá criar oportunidades para agricultores e empresas nacionais. O seu verdadeiro impacto dependerá, porém, da quantidade de matéria-prima adquirida localmente, das condições oferecidas aos produtores e da capacidade de evitar que os benefícios económicos fiquem concentrados apenas na componente energética.