O Benfica terá de desembolsar várias dezenas de milhões de euros se quiser adquirir a participação de 16,38% que José António dos Santos, conhecido como “Rei dos Frangos”, detém direta e indiretamente na SAD encarnada. O empresário mantém a intenção de vender a totalidade das 3.767.400 ações, mas não estará disposto a aceitar um preço inferior ao valor que atribui ao clube.

A administração encarnada já admitiu a possibilidade de comprar esta posição, atualmente o maior bloco acionista privado da SAD. Nuno Catarino, vice-presidente do Benfica e administrador financeiro da sociedade, sublinhou, porém, que qualquer operação teria de ser realizada “a preços de mercado”, sem conceder condições privilegiadas ao vendedor.

O problema está na diferença de avaliações. José António dos Santos terá como referência um valor próximo dos 12 euros por ação, o que colocaria o negócio acima dos 45 milhões de euros. O Benfica, por seu lado, terá de justificar o preço perante os restantes acionistas e cumprir as regras do mercado de capitais.

Caso oferecesse ao “Rei dos Frangos” condições que não fossem extensíveis aos restantes investidores, o clube poderia ficar obrigado a lançar uma oferta pública de aquisição. Nesse cenário, segundo Nuno Catarino, seria necessário mobilizar perto de 100 milhões de euros.

José António dos Santos chegou a acordo, em abril, para vender os 16,38% ao fundo norte-americano Entrepreneurial Equity Partners, numa operação estimada em cerca de 40 milhões. O negócio acabou por cair após o Benfica invocar preocupações relacionadas com os interesses do investidor noutros clubes europeus.

O empresário continua a garantir que existem vários compradores interessados. Para o Benfica, a decisão será agora financeira e estratégica: pagar milhões para reforçar o controlo da SAD ou aceitar a entrada de um novo acionista privado de peso.