O Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) deixou um aviso ao Governo sobre a privatização da TAP e considera "incompreensível" que os representantes dos pilotos ainda não tenham sido ouvidos num processo que poderá definir o futuro da companhia durante décadas.
A estrutura sindical defende que as propostas finais da Lufthansa e da Air France-KLM, os dois grupos que continuam na corrida à compra de uma participação na TAP, devem incluir compromissos concretos e duradouros sobre o futuro da empresa. Para o SPAC, a decisão não pode ser tomada apenas com base no valor financeiro das ofertas ou em declarações genéricas de intenção.
Os pilotos alertam, em particular, para questões como a dimensão e composição da frota, o futuro do hub de Lisboa, o emprego, as carreiras profissionais e a capacidade de decisão que continuará em Portugal. “O Estado tem agora o seu maior poder negocial”, afirmou Hélder Santinhos, presidente do SPAC, defendendo que é nesta fase, enquanto existem dois candidatos, que as intenções devem ser transformadas em garantias concretas e verificáveis.
Segundo o sindicato, após escolhido o investidor, a capacidade do Estado para exigir determinadas condições será necessariamente menor. Por isso, os pilotos querem ser ouvidos antes da decisão final e consideram que questões estratégicas para a companhia não devem ficar para negociações posteriores.
O SPAC esclarece, contudo, que é favorável à privatização da TAP. A posição do sindicato não passa por escolher o futuro acionista nem por substituir o Governo ou a Parpública, mas por garantir que a decisão tenha em conta quem conhece a operação da companhia por dentro e os possíveis efeitos sobre os trabalhadores.
“Não pretendemos escolher o acionista, substituir-nos ao Governo ou assumir competências da Parpública”, sublinhou Hélder Santinhos, defendendo que os representantes dos trabalhadores devem poder contribuir para uma decisão que terá impacto não apenas na empresa, mas também no setor da aviação e na economia portuguesa.
A TAP está atualmente numa fase decisiva do processo de privatização. A Air France-KLM e a Lufthansa apresentaram propostas vinculativas para a aquisição de 44,9% do capital da companhia, mas o Governo considerou que ambas as ofertas tinham uma avaliação global muito próxima, apesar de apresentarem diferenças no conteúdo. Por esse motivo, decidiu avançar para uma nova ronda de negociações com os dois grupos, para conseguir propostas melhoradas antes de escolher um único candidato.
O processo prevê, no total, a possibilidade de venda de até 49,9% da TAP. Uma parcela de 5% está reservada aos trabalhadores e, caso não seja totalmente subscrita, poderá ser adquirida pelo investidor escolhido, através de um direito de preferência. O Estado poderá posteriormente decidir sobre a venda da restante participação de 50,1%.
















