Itália e Grécia assinaram, em Roma, o acordo para a compra pela Marinha grega de duas fragatas FREMM atualmente ao serviço da Armada italiana. Os navios Carlo Bergamini e Virginio Fasan, construídos pela Fincantieri e em operação desde 2013, deverão ser entregues no primeiro semestre de 2028 e no primeiro semestre de 2029, respetivamente.
O valor oficial da operação não foi divulgado, ainda que a imprensa grega estime que a aquisição das duas fragatas não ultrapasse os 460 milhões de euros — cerca de 230 milhões por navio. A este montante deverão, no entanto, acrescer os custos do apoio logístico, modernização, integração de novos sistemas e armamento. Estimativas anteriores apontavam para mais 100 milhões de euros destinados a armamento, o que poderá elevar o custo global para, pelo menos, 560 milhões, sendo que o acordo mantém ainda aberta a possibilidade de Atenas adquirir outras duas unidades.
A cerimónia contou com a presença dos ministros da Defesa Guido Crosetto e Nikos Dendias, dos chefes das duas Marinhas e do presidente executivo da Fincantieri, Pierroberto Folgiero, sabendo-se que o grupo italiano assumirá um papel central na transferência e no apoio durante o ciclo de vida dos navios, estando igualmente prevista a participação da indústria e dos estaleiros gregos.

Para a próxima década, a Marinha grega planeia que as duas fragatas FREMM a serem adquiridas em breve sejam complementadas por outras duas unidades assim que a Marinha italiana as ‘libertar’, formando assim uma frota total de quatro navios desse tipo.
Diferença de preço
O negócio volta assim a colocar a Fincantieri no centro do rearmamento naval europeu e surge poucos meses depois da controversa aquisição, por Portugal, de três fragatas FREMM EVO novas. O contrato português, avaliado em cerca de 3,9 mil milhões de euros, foi celebrado sem concurso público e continua rodeado de dúvidas sobre a formação do preço, o equipamento incluído, a manutenção, o financiamento e as contrapartidas para a indústria nacional.
Apesar da comparação não pode ser feita de forma direta, uma vez que a Grécia compra navios usados e Portugal encomendou fragatas de nova geração, ainda assim, a diferença de valores deverá reforçar as exigências de transparência.
Recorde-se que o Ministério da Defesa, liderado por Nuno Melo, ainda não esclareceu detalhadamente as condições do contrato nem respondeu às 49 perguntas enviadas pelo 24 Horas.

















