Iliana Yotova, de 62 anos, defensora do diálogo com Moscovo e contrária à ajuda militar à Ucrânia, venceu ontem, dia 1, a segunda volta das eleições presidenciais na Bulgária e tornou-se a primeira mulher eleita chefe de Estado do país.

Com 99,95% dos votos apurados, os resultados quase finais divulgados esta segunda-feira, dia 2, pela Comissão Eleitoral Central dão-lhe 57,58% dos votos. O economista Andrey Gyurov, antigo primeiro-ministro interino apoiado pela oposição reformista e pró-ocidental, ficou-se pelos 39,47%. Perto de 3% dos eleitores escolheram a opção que permite não apoiar nenhum dos candidatos.

A vitória foi mais folgada do que a da primeira volta, a 25 de outubro, em que Yotova obteve cerca de 35% e Gyurov 32%. A afluência às urnas voltou a ser baixa: uma contagem paralela da agência Market Links aponta para cerca de 29%, ainda assim acima dos 23% da primeira volta, o valor mais baixo de sempre no país.

Gyurov reconheceu a derrota ontem à noite, embora se tenha mostrado surpreendido com a diferença entre as sondagens à boca das urnas e a contagem dos votos. O candidato agradeceu aos eleitores e aos partidos que o apoiaram e apelou aos búlgaros para que se mantenham atentos ao cumprimento das promessas feitas durante a campanha.

A guerra na Ucrânia dominou a disputa. Yotova defendeu uma saída negociada entre Kiev e Moscovo, enquanto Gyurov, que em março assinou um acordo de cooperação em matéria de segurança com a Ucrânia enquanto chefe do governo interino, defendeu um reforço do apoio a Kiev e uma maior proximidade aos parceiros ocidentais.

O resultado reforça o primeiro-ministro Rumen Radev, líder do partido Bulgária Progressista, considerado próximo de Moscovo, que apoiou a candidatura de Yotova. A presidente, de 62 anos, foi vice-presidente de Radev e assumiu a chefia do Estado em janeiro, quando este se demitiu para disputar as legislativas de abril, que venceu com larga vantagem.

Na Bulgária, o presidente não tem poderes executivos e a política externa é da responsabilidade do governo. O chefe de Estado comanda as Forças Armadas e pode vetar legislação.