O PS admite avançar com uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) ao processo de digitalização dos exames nacionais, caso o Governo não esclareça, até ao início de setembro, as dúvidas levantadas pelos socialistas sobre a condução do processo.

O anúncio foi feito esta sexta-feira, dia 24, pelo líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, que condicionou essa iniciativa ao esgotamento prévio dos mecanismos de escrutínio político e ao fim do período de candidaturas ao ensino superior.

Em conferência de imprensa, na sede nacional do partido, Eurico Brilhante Dias explicou que o PS vai enviar ainda hoje um conjunto de perguntas ao ministro dos Assuntos Parlamentares, Carlos Abreu Amorim, dirigidas ao ministro da Educação. As respostas deverão chegar até ao início da próxima sessão legislativa, em setembro.

O líder da bancada socialista sublinhou que uma eventual comissão parlamentar de inquérito apenas avançará "quando todos os instrumentos de escrutínio do Governo se encontrarem esgotados" e depois de concluído o processo de candidaturas ao ensino superior, de forma a não introduzir perturbações adicionais numa fase considerada sensível para os estudantes.

Questionado sobre a possibilidade de recorrer ao mecanismo potestativo, que permitiria ao PS impor a constituição da comissão, Eurico Brilhante Dias afirmou que, para já, não considera essa hipótese necessária, manifestando confiança na existência de uma maioria parlamentar favorável à realização da iniciativa.

Além da eventual CPI, o PS defende a realização de uma auditoria externa ao Ministério da Educação para apurar o que falhou no processo de digitalização dos exames nacionais, que motivou críticas e constrangimentos durante a atual época de avaliações.