A Alemanha viveu este domingo, dia 20, duas eleições regionais em simultâneo, na Pomerânia Ocidental-Mecklemburgo e em Berlim, que fizeram soar o alarme na CDU do chanceler Friedrich Merz e na SPD, ambas a sofrerem quebras históricas. Os resultados que se seguem baseiam-se em projeções da noite eleitoral, ainda não confirmadas oficialmente, pelo que os valores podem sofrer ligeiros ajustes até à madrugada de segunda-feira.
Na Pomerânia Ocidental-Mecklemburgo, a extrema-direita da AfD, liderada por Leif-Erik Holm, surge à frente com 37,9%, superando a SPD da atual Ministra-Presidente Manuela Schwesig, que fica pelos 35,7%. A CDU regista o pior resultado de sempre num Landtag, com apenas 5%, à beira de ficar fora do parlamento regional. Die Linke garante 6,5% e os Verdes 5,6%, enquanto o BSW de Sahra Wagenknecht fica abaixo da barreira dos 5% (4,9%) e perde assentos. A participação foi elevada, acima dos 75%.
Apesar da vitória em votos, a AfD não deverá conseguir formar governo, dada a recusa generalizada dos restantes partidos em coligar-se com a formação. Schwesig assumiu tratar-se de uma "grande recuperação" da SPD, que chegou a estar nos 19% nas sondagens há um ano, mas reconheceu ter enfrentado uma campanha difícil, com "ventos contrários" vindos do governo federal.
Já em Berlim, é Die Linke quem vence claramente a corrida ao parlamento de Berlim (Abgeordnetenhaus), com cerca de 25,3% a 25,5%, naquele que pode ser um resultado histórico: a cabeça de lista Elif Eralp poderá tornar-se a primeira Bürgermeisterin (presidente da câmara) do partido na capital alemã. A CDU, do atual presidente da câmara Kai Wegner ( que não se recandidatou após polémica sobre a gestão de um apagão em janeiro ), cai para cerca de 19-20%, com o candidato Stefan Evers a admitir um resultado "que obriga a humildade". A AfD surge em terceiro lugar, entre 14,3% e 16,2% consoante a hora da projeção, à frente dos Verdes (14,5% a 15,3%) e da SPD, que regista o que o seu candidato Steffen Krach classificou como "resultado catastrófico" (11,8% a 12,1%). O BSW ronda os 5%, com a entrada no parlamento ainda incerta. A participação ficou entre os 73% e os 75%.
A atual coligação CDU-SPD, liderada por Wegner desde 2023, perde a maioria absoluta, somando apenas 44 dos 130 lugares do hemiciclo. As alternativas em cima da mesa passam por uma coligação entre Die Linke, Verdes e SPD, ou entre CDU, Verdes e SPD : ainda é cedo, segundo os próprios partidos, para negociações formais.
Merz falou esta noite de um resultado "correto" para a CDU em Berlim, mas de um "desastre" para os cristãos-democratas na Pomerânia Ocidental-Mecklemburgo, garantindo manter o rumo reformista do seu governo federal.

















