André Ventura, de 43 anos, voltou este domingo, dia 20, a exigir esclarecimentos ao Governo sobre a operação de aquisição de participações na REN, defendendo que devem ser conhecidas eventuais comissões pagas e possíveis interesses financeiros de membros do Executivo ou dos seus familiares.

O líder do Chega apelou diretamente ao primeiro-ministro para que esclareça a situação, argumentando que a transparência é essencial para evitar suspeitas de conflitos de interesses ou de corrupção.

“Queria apelar ao primeiro-ministro que esclarecesse isto: houve ou não comissões pagas no negócio da REN? Há suspeitas de luvas no negócio da REN?”, questionou Ventura aos jornalistas, no Caniçal, concelho de Machico, onde participou na Festa da Senhora da Piedade.

O presidente do Chega considera que a operação representa “um dos maiores negócios de intervenção pública dos últimos anos” e critica o Executivo por, na sua perspetiva, não ter apresentado explicações suficientemente claras.

Chega quer ministro das Finanças no Parlamento

A posição surge depois de Ventura ter anunciado, no sábado, 19, que o Chega pretende chamar o ministro das Finanças ao Parlamento para prestar esclarecimentos sobre a operação.

A iniciativa está relacionada com notícias que apontam para a possibilidade de membros do Governo terem recebido comissões ou deterem, direta ou indiretamente, ações da REN.

Para Ventura, é necessário esclarecer se existem interesses financeiros ligados ao negócio e se algum responsável político ou familiar beneficiou da valorização da empresa após a intervenção do Estado: “Esta é uma questão importante porque o Estado comprou participações da REN e fizeram com que o valor da REN subisse muito e isto significa que quem tem participações da REN teve um benefício direto com isto.”

O líder do Chega rejeitou que esteja em causa uma questão de “coscuvilhice ou de intriga”, defendendo que as informações solicitadas fazem parte de um escrutínio legítimo à atuação do Governo.

Ventura entende também que eventuais participações na REN por parte de membros do Executivo ou dos seus familiares não devem ser consideradas uma matéria abrangida pela reserva da vida privada, tendo em conta a natureza da operação: “É importante saber se o Governo que nos governa, em negócios deste tipo, usa toda a transparência, toda a imparcialidade e não está à procura de enriquecer-se a si próprio ou aos seus familiares ou seus amigos.”

O dirigente partidário defendeu ainda que os esclarecimentos devem ser prestados antes da ida do ministro das Finanças ao Parlamento, para evitar que a questão se prolongue.

Ventura afirmou que é necessário saber se houve pedidos de escusa por parte de eventuais envolvidos devido a conflitos de interesses e admitiu que poderão existir “coisas mal explicadas ou até eventualmente corrupção”. “Tudo isto levanta muita suspeita e gostava que fosse esclarecido a bem, rapidamente”, insistiu.

O presidente do Chega criticou ainda o Governo por, segundo afirmou, contribuir para alimentar “novelas” quando não esclarece rapidamente questões desta natureza.

Caso o Executivo não apresente as explicações pretendidas, o Chega pretende recorrer aos instrumentos parlamentares disponíveis para exigir respostas: “Apelo que faço ao primeiro-ministro para evitar mais novela sobre caso da REN.”