Um estudo desenvolvido por investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) concluiu que o contacto pele com pele entre os pais e os bebés prematuros, logo nas primeiras horas de vida, pode reduzir significativamente o risco de infeções e aumentar as probabilidades de sobrevivência.
A investigação, publicada em maio na revista científica Journal of Perinatal Medicine, analisou dados de 1.679 recém-nascidos com menos de 32 semanas de gestação e/ou com peso inferior a 1.500 gramas à nascença.
De acordo com Sandra Costa, professora da FMUP e coordenadora do estudo, "os resultados indicam que os cuidados canguru aplicados nas primeiras 24 horas de vida se associam a uma diminuição de 19% na mortalidade aos 28 dias e a uma redução da taxa de infeção".
Os investigadores centraram-se nos bebés considerados mais vulneráveis, sobretudo aqueles nascidos entre as 28 e as 32 semanas de gravidez, para avaliar o impacto da chamada técnica do "cuidado canguru" nesta população de maior risco.
Segundo explica a especialista, este método consiste em colocar o recém-nascido diretamente sobre o peito da mãe ou do pai, privilegiando o contacto pele com pele, mesmo quando o bebé continua a necessitar de cuidados médicos intensivos. "O cuidado canguru deve iniciar-se precocemente no hospital e pode ser continuado em casa, pelo maior número de horas possível", refere.
A investigação destaca ainda a importância de garantir a presença dos pais nas Unidades de Cuidados Intensivos Neonatais desde o nascimento e de preparar as equipas de saúde através de formação específica para implementar esta prática em segurança.
Até agora, a falta de evidência científica direcionada para os grandes prematuros era apontada como uma das razões que limitava a adoção destes cuidados por médicos e enfermeiros. Com os novos resultados, a equipa defende que existem fundamentos sólidos para recomendar a aplicação desta técnica também nos recém-nascidos de maior risco.
Nas conclusões do trabalho, os investigadores sublinham que estas evidências podem ajudar os profissionais de saúde a integrar mais facilmente o método nos cuidados prestados aos grandes prematuros e apelam igualmente ao envolvimento ativo dos pais desde o primeiro dia de internamento.
Sandra Costa explica ainda que o contacto direto pode contribuir para alterar a flora bacteriana do recém-nascido, diminuindo o risco de infeção. Além disso, esta prática está associada a uma maior produção de leite materno, favorecendo a alimentação com leite da mãe, cujos benefícios para os bebés prematuros estão amplamente comprovados.

















