A escolha de Tancos para receber uma escola de pilotos da Lufthansa, num investimento de 500 milhões de euros associado à privatização da TAP, está a gerar polémica. O antigo presidente da Câmara de Beja, Paulo Arsénio, revelou que a companhia alemã manifestou, em 2025, interesse em instalar o projeto no Alentejo.
Segundo o socialista, a 18 de junho de 2025 recebeu um email de Maximilian Kiewel, responsável da Lufthansa pelas relações com a NATO, considerando Beja "uma solução de excelência" para uma escola de pilotos militares alemães e da Aliança Atlântica.
Quase um mês depois, a 16 de julho, uma comitiva da Lufthansa reuniu-se com a autarquia, apresentando a possibilidade de criar duas escolas: uma destinada à formação de pilotos militares da NATO e outra, mais pequena, para pilotos da companhia aérea.
"Beja era uma forte possibilidade para instalação destas valências", revelou Paulo Arsénio, surpreendido com a posterior escolha de Tancos. "Importante saber quem tomou a decisão de Tancos em ‘desfavor’ de Beja e com que argumentos. Algo se passou, portanto, entre julho de 2025 e outubro de 2026."
O antigo autarca socialista reconhece, contudo, as limitações à formação de pilotos na Base Aérea n.º 11.
Entretanto, a decisão também foi criticada pela Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo, que denuncia uma "forte desconsideração" pela região.
Já o deputado social-democrata Gonçalo Valente argumenta que a utilização militar permanente do espaço aéreo de Beja é incompatível com uma escola de formação intensiva de pilotos.
















