Pedro Passos Coelho, de 62 anos, defendeu esta segunda-feira, dia 19, uma revisão das condições de acesso à interrupção voluntária da gravidez (IVG), alertando para o aumento dos abortos realizados por mulheres estrangeiras em Portugal.

Num colóquio promovido pela Federação Portuguesa pela Vida, na Assembleia da República, o antigo primeiro-ministro revelou que, segundo dados da Direção-Geral da Saúde, a proporção de IVG realizadas por estrangeiras passou de 15,6%, em 2008, para 44,2%, em 2025.

O antigo líder do PSD destacou ainda o aumento das interrupções de gravidez desde 2021, defendendo que não existem razões para "qualquer relaxamento das condições de opção pela IVG".

Sem questionar diretamente a despenalização do aborto até às dez semanas, aprovada em 2007, Passos sugeriu recuperar medidas introduzidas pelo seu Governo em 2015 e revogadas meses depois.

Entre essas regras estavam a cobrança de taxas moderadoras e a obrigatoriedade de consultas com psicólogos e técnicos de serviço social. "Julgo que esta seria uma boa oportunidade para retomar essa discussão", afirmou, defendendo melhores condições de apoio à maternidade e à paternidade.

Passos considerou ainda que os números da DGS "não dão razão para sentir orgulho" e reiterou a defesa de uma "visão restritiva da despenalização do aborto".

O antigo governante pediu um debate "maduro e sereno", respeitador das diferentes opiniões, sem propor o regresso à criminalização da IVG.