A Federação Nacional dos Professores (FENPROF) vai apresentar manhã, sexta-feira, dia 17, uma queixa na Procuradoria-Geral da República (PGR), relacionada com os problemas registados no processo de correção digital dos exames nacionais. O anúncio foi feito por José Feliciano da Costa, dirigente da estrutura sindical, que acredita que a polémica poderá levar muitos alunos a pedir a reapreciação das provas.

O responsável admite, em declarações ao Notícias ao Minuto, que, perante as dúvidas geradas, faria o mesmo, antecipando que o número de pedidos poderá ser muito superior ao habitual.

O prazo para concluir a classificação das provas devia ter terminado na quarta-feira, dia 15, mas José Feliciano da Costa garante que muitos docentes continuavam a receber, na noite de ontem, centenas de itens para corrigir. Segundo exemplificou, uma professora recebeu 444 itens e outra 367, já perto do fim do prazo.

O sindicalista teme que os resultados, previstos para serem divulgados na sexta-feira, possam conter falhas: "Temos dúvidas de que o processo esteja terminado. Admito que possa estar, mas com muitas falhas."

Na opinião de José Feliciano da Costa, a confiança no sistema ficou fragilizada, o que deverá refletir-se no número de pedidos de reapreciação. Habitualmente, cerca de 2% dos alunos solicitam uma nova correção, mas este ano a expectativa é diferente.

"Acredito que qualquer pai, neste momento, fica com dúvidas depois de saber uma nota, a não ser que o aluno tenha 20. É normal que, perante toda esta desconfiança, seja pedida a reapreciação", afirmou, acrescentando que "provavelmente, vai disparar".

A FENPROF recorda ainda que o processo não termina com a primeira fase dos exames. Segue-se a segunda fase, que utilizará o mesmo modelo de correção digital, numa altura em que muitos professores deveriam já estar concentrados na preparação do próximo ano letivo.

Também Francisco Gonçalves, secretário-geral da federação, considera que a verdadeira dimensão dos problemas apenas será conhecida depois de divulgadas as classificações e iniciados os pedidos de reapreciação.

"Só quando saírem os resultados é que se vai perceber a real dimensão dos problemas", afirmou, admitindo que poderão surgir "pedidos a chover" para uma nova avaliação das provas.

A queixa da FENPROF será entregue à PGR na sexta-feira, pelas 09:00, poucas horas antes da divulgação das notas. O objetivo passa por apurar responsabilidades políticas e técnicas, mas também por esclarecer as falhas registadas e afastar eventuais responsabilidades dos professores.

José Feliciano da Costa voltou ainda a criticar o funcionamento da plataforma utilizada na correção dos exames, referindo casos de páginas em falta, respostas trocadas, folhas em branco e classificações que terão desaparecido do sistema.

O dirigente deixou também críticas ao Governo. Considera que o ministro da Educação, Fernando Alexandre, "não tem condições para estar à frente" da tutela e censurou ainda as declarações do primeiro-ministro, Luís Montenegro, sobre a alegada resistência dos docentes à digitalização: "Os professores estão a dar o seu melhor, a trabalhar ao fim de semana, de madrugada e pela noite dentro."