A kixikila, um sistema de poupança coletiva baseado na confiança entre os participantes, está a ganhar espaço entre trabalhadores de instituições públicas e empresas privadas em Angola. O funcionamento é simples: cada membro entrega regularmente uma quantia acordada e, em cada ronda, o dinheiro reunido é atribuído a uma pessoa, seguindo uma ordem previamente definida.
Por exemplo, num grupo de seis pessoas que contribuam mensalmente com 120 mil kwanzas, cerca de 117 euros, cada participante recebe, na sua vez, 720 mil kwanzas, aproximadamente 700 euros. Depois de receber, continua a contribuir até todos beneficiarem. Não se trata de um rendimento adicional, mas de uma forma de juntar dinheiro ou antecipar o acesso a uma soma maior, sem recorrer ao crédito bancário.
Domingas Paulo participa num grupo com entregas mensais de 200 mil kwanzas, cerca de 195 euros. Quando recebe o montante acumulado, coloca mais de metade numa conta-poupança para financiar viagens e outros projetos pessoais.
Já o arquiteto Nel José destaca a disciplina criada pelo compromisso coletivo, que ajuda a evitar que o dinheiro seja gasto noutras necessidades.
A organização exige regras claras sobre contribuições, prazos e ordem dos pagamentos. A partilha dos comprovativos de transferência reforça a transparência, mas o risco permanece: se alguém deixar de pagar, pode comprometer o recebimento dos restantes. A confiança é a base da kixikila.

















