A eletricidade vai ficar mais cara a partir de 1 de outubro para os consumidores que ainda estão no mercado regulado. A atualização definida pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) representa, em média, um aumento de 2,7% na fatura mensal dos clientes domésticos abrangidos.
A subida chega numa revisão intercalar das tarifas para 2026 e afeta cerca de 779 mil clientes, o equivalente a aproximadamente 4,6% do consumo de eletricidade em Portugal.
Na origem da decisão está a evolução dos preços no mercado grossista. A ERSE aumentou em 0,005 euros por kWh a tarifa de Energia, procurando refletir os custos de aquisição de eletricidade e corrigir antecipadamente os desvios registados.
Quanto vai aumentar a conta?
O impacto varia consoante o perfil de consumo e a potência contratada.
Num agregado composto por duas pessoas, sem filhos, com uma potência de 3,45 kVA e um consumo anual de 1.900 kWh, o aumento será, em média, de 0,95 euros por mês.
Para uma família de quatro pessoas, com dois filhos, potência contratada de 6,9 kVA e um consumo anual de 5.000 kWh, a subida estimada será de 2,70 euros mensais.
Por que motivo a ERSE atualizou as tarifas?
A alteração resulta do mecanismo de revisão trimestral previsto para situações em que os custos de compra de eletricidade apresentam desvios significativos face ao que tinha sido inicialmente estimado.
A lógica é evitar que essas diferenças se acumulem durante demasiado tempo e tenham posteriormente de ser compensadas através das tarifas.
A evolução do mercado grossista continua a ser influenciada por vários fatores. Apesar do crescimento das fontes renováveis reduzir a dependência dos combustíveis fósseis, o gás natural continua a ter impacto na formação dos preços da eletricidade.
Segundo a ERSE, essa influência tornou-se particularmente relevante no terceiro trimestre, numa altura em que a produção elétrica nacional tem uma menor participação de fontes renováveis.
E quem está no mercado livre?
A atualização anunciada pela ERSE não é aplicada diretamente aos consumidores que contrataram eletricidade no mercado liberalizado.
Ainda assim, a evolução dos preços grossistas pode refletir-se nas ofertas comerciais das diferentes empresas. Neste caso, cada comercializador define os preços que pratica de acordo com as condições de aquisição de energia e a estratégia comercial adotada.
Para perceber se existe uma alternativa mais económica, os consumidores podem comparar os diferentes contratos disponíveis através do simulador de preços da ERSE.
Há formas de baixar a fatura?
Uma das possibilidades passa por rever a potência contratada e comparar regularmente as ofertas disponíveis no mercado.
Também é possível reduzir o consumo através de medidas simples no dia a dia, como trocar lâmpadas convencionais por LED, optar por equipamentos mais eficientes, evitar deixar aparelhos em standby e utilizar as máquinas de lavar roupa e loiça com a carga completa e em programas económicos.
Quem tem uma tarifa bi-horária ou tri-horária pode ainda concentrar parte dos consumos nos períodos em que a eletricidade é mais barata.
E depois de outubro?
A subida de outubro não corresponde ainda à definição das tarifas para 2027. Trata-se de uma atualização intermédia dos preços aplicados durante 2026.
A ERSE deverá apresentar a proposta tarifária para o próximo ano a 15 de outubro. A decisão final está prevista para 15 de dezembro, depois de o Conselho Tarifário ser ouvido.
Só nessa altura será possível conhecer a evolução das tarifas reguladas para 2027.

















