O debate parlamentar sobre o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) ficou esta quarta-feira, dia 16, marcado por um momento de tensão entre o ministro da Administração Interna, Luís Neves, e a bancada do Chega. Na primeira sessão plenária após as férias, deputados do partido de André Ventura reagiram com protestos e apartes quando o governante incluiu a extrema-direita radical entre as principais ameaças terroristas a ter em conta em Portugal e na Europa.
Na intervenção que encerrou o debate, Luís Neves começou por identificar o terrorismo de matriz islamista como a principal ameaça desta natureza no espaço europeu. “Continua a ser, no mundo ocidental e na Europa, o terrorismo de matriz islamista”, afirmou, garantindo que Portugal “tem feito o seu trabalho no plano nacional e internacional”.
Logo depois, o ministro apontou uma segunda ameaça: “O terrorismo de extrema-direita radical, onde se encontram nacionalistas identitários do ponto de vista de uma matriz neonazi.”
A referência provocou de imediato uma reação ruidosa nas bancadas do Chega. Entre os protestos e apartes dirigidos a Luís Neves ouviu-se a expressão “E os xuxas?”, numa alusão depreciativa aos deputados do PS.
O tema da extrema-direita consta do próprio RASI de 2025. O documento refere o reforço dos contactos internacionais de grupos deste espaço e assinala o desmantelamento de uma organização portuguesa associada a propaganda neonazi e a atos preparatórios de ataques terroristas. Regista ainda um aumento da presença de portugueses, sobretudo jovens, em grupos online de matriz aceleracionista e neonazi.
O confronto acontece num período de forte tensão entre o Chega e Luís Neves. O partido de Ventura apresentou recentemente uma moção de censura ao Governo centrada no ministro, que foi rejeitada no Parlamento, e mantém a intenção de avançar com uma comissão de inquérito à sua gestão enquanto diretor nacional da Polícia Judiciária.

















