As urgências hospitalares poderão enfrentar mais dificuldades, já em outubro, devido a um protesto dos chamados médicos tarefeiros, profissionais contratados para assegurar turnos através de empresas de prestação de serviços. Em causa está uma contestação que ameaça reduzir significativamente a disponibilidade destes clínicos e colocar sob pressão o funcionamento de vários hospitais.

Os médicos admitem que a mobilização possa mesmo provocar a paragem de algumas urgências, sobretudo nas unidades mais dependentes da contratação externa para completar as escalas. O impacto poderá ainda comprometer os planos de inverno preparados pelos hospitais para responder ao tradicional aumento da procura dos serviços de saúde durante os meses mais frios.

O alerta surge num contexto em que os tarefeiros assumem um papel relevante no preenchimento de turnos que não conseguem ser assegurados pelos quadros permanentes do Serviço Nacional de Saúde. Uma redução da disponibilidade destes profissionais poderá, por isso, obrigar as administrações hospitalares a reorganizar escalas e serviços e aumentar a pressão sobre os médicos dos próprios hospitais.

Os clínicos deixam ainda outro aviso ao Governo, nomeadamente à ministra da saúde, Ana Paula Martins: o agravamento das condições poderá levar mais profissionais a procurar trabalho fora de Portugal. A possibilidade de um êxodo para o estrangeiro é apresentada como uma das consequências da atual situação, com potenciais reflexos na capacidade de resposta do SNS.