A corrida à organização da final do Mundial de 2030, que será coorganizado por Portugal, Espanha e Marrocos, está longe de estar encerrada. Embora o estádio Santiago Bernabéu, em Madrid, continue a ser o favorito para receber o encontro decisivo, Rabat intensificou nos últimos meses uma discreta, mas persistente, ofensiva diplomática e política para convencer a FIFA a transferir o jogo para território marroquino.
O argumento ganhou força quando o Real Madrid apresentou uma exigência considerada inesperada: cerca de 30 milhões de euros para compensar o encerramento do Bernabéu durante os três meses anteriores à final, período em que o estádio ficaria indisponível para jogos, concertos e outros eventos. A pretensão financeira abriu espaço a novas discussões dentro da FIFA e reacendeu as aspirações marroquinas de ver o recém-construído Grande Estádio Hassan II, nos arredores de Casablanca, receber aquele que será o jogo mais importante da competição.
Em paralelo, Marrocos tem multiplicado os gestos de aproximação aos seus principais aliados internacionais. Um dos mais simbólicos surgiu nos últimos dias, quando o Governo marroquino decidiu atribuir o nome de Donald Trump à autoestrada com mais de mil quilómetros que liga Tiznit a Dakhla, no sul do país. A iniciativa é justificada como sendo um agradecimento pelo reconhecimento norte-americano da soberania marroquina sobre o Sara Ocidental, posição assumida durante a presidência de Trump e que Rabat considera decisiva para a sua estratégia internacional.

A conjugação destes dois acontecimentos está a alimentar especulações sobre uma ofensiva diplomática destinada a reforçar o peso político de Marrocos junto dos centros de decisão internacionais, incluindo a FIFA. Oficialmente, o organismo máximo do futebol mundial continua a sustentar que a escolha do palco da final ainda não foi formalizada.
Para Portugal, que receberá vários jogos da competição, o desfecho desta disputa poderá revelar-se determinante para o equilíbrio político entre os três países organizadores, num Mundial que, antes mesmo do apito inicial, já está a ser disputado fora das quatro linhas.

















