O ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, de 54 anos, confirmou esta sexta-feira, 17, que todos os exames nacionais do ensino secundário já estão classificados e assegurou que as pautas serão afixadas até ao final da tarde, depois de vários dias marcados por atrasos no processo de classificação. "Os estudantes foram as cobaias", disse a líder parlamentar do PCP, Paula Santos, em São Bento.

Numa breve declaração aos jornalistas, à entrada para a Assembleia da República, antes do debate de urgência requerido pelo PCP sobre os exames nacionais, o governante afirmou que o trabalho do Júri Nacional de Exames (JNE) está concluído. "O Júri Nacional de Exames tem todas as classificações prontas para distribuir às escolas", disse, acrescentando que não antecipa "razão nenhuma para que hoje não sejam publicadas todas as notas de todos os exames".

"Os estudantes foram as cobaias", disse a líder parlamentar do PCP, Paula Santos, em São Bento.

A confirmação surge depois de, na véspera, o ministro ter admitido a possibilidade de as pautas não serem divulgadas durante esta sexta-feira, uma vez que ainda faltava classificar cerca de 0,5% das respostas. Horas depois, Fernando Alexandre mostrou-se confiante de que o processo ficaria concluído a tempo da publicação dos resultados.

Antes das declarações do ministro, o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP) garantiu que as escolas ainda não tinham recebido qualquer comunicação oficial sobre a disponibilização das classificações. "Nada, zero", afirmou Filinto Lima, sublinhando que "a bola está do lado" do Ministério da Educação.

Apesar da ausência de informação formal, o responsável manifestou confiança no desfecho do processo, embora tenha ressalvado que é preciso "ver para crer". Segundo explicou, os diretores aguardam apenas a chegada das classificações por via digital para procederem à afixação das pautas, garantindo que essa fase decorre de forma rápida.

"Os nossos alunos estão muito ansiosos, já estão a ligar para as escolas a perceber se já chegaram as notas, as classificações", relatou Filinto Lima.

Este ano, mais de 300 mil provas foram realizadas em papel, mas classificadas através de um novo sistema digital. A implementação do modelo implicou a digitalização de milhões de folhas de resposta, posteriormente distribuídas eletronicamente pelos professores classificadores.

O processo ficou, porém, marcado por sucessivos constrangimentos. Os primeiros problemas surgiram logo após o exame de Português, devido a dificuldades técnicas na disponibilização das provas aos classificadores. Seguiram-se relatos de folhas mal digitalizadas, respostas incompletas por ausência de folhas de continuação e dificuldades de funcionamento da plataforma de classificação, fatores que contribuíram para atrasar a divulgação das notas.