Angola está a conquistar espaço na corrida internacional pelas terras raras, minerais indispensáveis à produção de veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos tecnológicos e sistemas de defesa. Uma agência norte-americana de financiamento ao desenvolvimento já comprometeu 62,8 milhões de dólares em projetos localizados em Angola, Malawi, Madagáscar e África do Sul.

No território angolano, o apoio é dirigido à britânica Pensana, que desenvolve o projeto mineiro do Longonjo e prevê instalar capacidade de refinação. A jazida possui neodímio e praseodímio, utilizados no fabrico de ímanes de elevado desempenho, e é considerada uma das maiores iniciativas do género em preparação.

O investimento tem também uma dimensão geopolítica. A China controla cerca de 60% da extração mundial e mais de 85% da capacidade global de refinação destes minerais. Os Estados Unidos procuram, por isso, criar cadeias de abastecimento alternativas.

Apesar do potencial africano, os investidores privados continuam prudentes devido às carências de infraestruturas e aos riscos comerciais. Para Angola, o desafio será evitar a simples exportação de minério e garantir transformação local, emprego, conhecimento e maior valor acrescentado.