O Chega poderá vir a enfrentar um novo concorrente no espaço da direita nacionalista portuguesa. O partido Missão, criado no Brasil pelo Movimento Brasil Livre e liderado por Renan Santos, candidato às próximas eleições presidenciais brasileiras, estará a preparar a implantação de um projeto político em Portugal, onde já mantém uma página na Internet com programa e identidade visual próprios.
Sob o lema "reconquistar Portugal em oito passos", a futura formação apresenta propostas que disputam diretamente algumas das principais bandeiras de André Ventura. Entre elas estão o endurecimento das leis penais, o combate ao crime organizado, o reforço dos mecanismos de 'remigração', o reposicionamento de Portugal na União Europeia e políticas de incentivo à natalidade 'entre portugueses'.
O programa inclui ainda o combate à saída dos jovens, a industrialização do país, a criação de empregos mais bem pagos e medidas para reduzir os custos da habitação. A combinação de nacionalismo, segurança, imigração e preocupações económicas parece desenhada para conquistar eleitores descontentes com os partidos tradicionais — precisamente o território político em que o Chega construiu o seu crescimento.
A Missão brasileira nasceu no seio do MBL, movimento inicialmente associado ao liberalismo económico, mas evoluiu para posições mais nacionalistas, conservadoras e securitárias. Renan Santos, candidato às presidenciais brasileiras, apresenta-se como adversário tanto da esquerda de Lula como do bolsonarismo representado por Flávio Bolsonaro.
Ainda não existe, contudo, um partido Missão oficialmente constituído em Portugal. A formação não aparece na lista do Tribunal Constitucional e a página não identifica dirigentes portugueses, sede, estatutos ou calendário para a recolha das 7500 assinaturas necessárias.
Uma eventual entrada da Missão no sistema partidário não ameaçaria imediatamente a posição eleitoral do Chega. Poderia, porém, fragmentar o voto de protesto e abrir uma disputa pelo eleitorado mais jovem, nacionalista e mobilizado através das redes sociais. O partido de André Ventura pode, assim, deixar de estar sozinho na exploração desse espaço político.
















