A inflação voltou a ganhar força em Portugal e está a colocar uma pressão crescente sobre os orçamentos familiares. Agosto foi já o quinto mês consecutivo com uma taxa de inflação acima dos 3%, uma sequência que não se verificava desde 2023. Segundo os dados do INE, a subida dos preços acelerou para 3,3%, impulsionada, entre outros fatores, pelo agravamento dos combustíveis.

Os transportes lideram os aumentos, com uma inflação homóloga de 6,42 por cento, seguindo-se restaurantes e alojamento, com 6,23%. A Educação, higiene e proteção social e habitação, água e energia registam igualmente subidas acima ou próximas dos 4%.

O impacto começa, porém, a refletir-se de forma preocupante no endividamento. Dados do Banco de Portugal mostram que o montante de novos créditos pessoais está a crescer mais de 16% face ao mesmo período do ano anterior, sinal de que algumas famílias estarão a recorrer ao financiamento para suportar despesas correntes.

A Deco alerta precisamente para esse risco: quando o crédito começa a ser utilizado para pagar alimentação, energia ou transportes, pode estar a formar-se um desequilíbrio financeiro difícil de travar.

Também o cabaz alimentar continua a pesar. A Deco Proteste calcula que 63 produtos básicos custam agora cerca de 255 euros, mais 13 euros do que no início do ano e aproximadamente 68 euros acima de 2022. Apesar da descida recente de alguns alimentos, vários produtos essenciais continuam significativamente mais caros.

O cenário deixa um aviso para os próximos meses: com combustíveis novamente em alta, a pressão poderá espalhar-se a toda a cadeia de preços e voltar a reduzir o rendimento disponível das famílias.