O Serviço de Utilização Comum dos Hospitais (SUCH) continua mergulhado numa das maiores crises institucionais da sua história recente. Depois de vários meses marcados por denúncias públicas, polémicas em torno da gestão, pedidos de audição parlamentar e acusações relacionadas com o clima laboral interno, um novo episódio veio adensar a instabilidade: a retirada de funções da vogal-executiva Cristina Pratas, que cessou funções executivas a partir de 14 de julho.
A sucessão de acontecimentos tem colocado o atual Conselho de Administração sob intensa pressão. Desde abril que o SUCH tem sido alvo de sucessivas notícias envolvendo alegações de assédio laboral, denúncias de irregularidades na gestão, críticas ao ambiente interno e forte contestação por parte de antigos dirigentes e trabalhadores. Embora algumas acusações tenham sido rejeitadas pela tutela, a controvérsia nunca deixou de crescer, acabando mesmo por motivar iniciativas de escrutínio político na Assembleia da República.
O momento tornou-se ainda mais delicado quando o ex-ministro da Saúde António Correia de Campos, na qualidade de Provedor do Associado e do Cliente do SUCH, tornou públicas críticas particularmente severas à atuação da atual administração, denunciando aquilo que classificou como um ambiente de forte tensão interna, sucessivas substituições de dirigentes, alegadas irregularidades nos processos de gestão e um clima de desconfiança instalado na instituição.
É precisamente neste contexto que ganha especial relevância a saída de Cristina Pratas das funções executivas. A administradora era considerada uma das pessoas com maior conhecimento interno da organização, integrando os quadros do SUCH há vários anos. A perda das suas responsabilidades executivas é interpretada por diversas fontes como mais um sinal da profunda reorganização promovida pela atual liderança, mas também como um fator suscetível de aumentar a instabilidade numa estrutura considerada estratégica para o funcionamento do Serviço Nacional de Saúde.
Entretanto, continuam a chegar relatos de preocupação entre trabalhadores relativamente ao ambiente laboral, à reorganização interna e ao relacionamento entre a administração e diferentes estruturas da instituição. Apesar de não existirem decisões judiciais que confirmem as acusações divulgadas publicamente, a sucessão de denúncias tem contribuído para desgastar a imagem do SUCH e aumentar a pressão sobre os seus responsáveis.
O Conselho de Administração, liderado por Carlos Andrade Costa, enfrenta agora um período particularmente exigente. Depois das declarações públicas que geraram forte polémica, da contestação política e das críticas formuladas pelo Provedor, a reorganização da administração poderá voltar a ser alvo de escrutínio, sobretudo numa entidade que assegura serviços essenciais de apoio aos hospitais públicos portugueses e emprega milhares de trabalhadores.
A evolução dos acontecimentos nas próximas semanas será decisiva para perceber se a atual administração conseguirá estabilizar o SUCH ou se a crise institucional continuará a aprofundar-se, alimentando novas polémicas e reforçando os apelos a um maior escrutínio da gestão de uma das mais importantes organizações de apoio ao Serviço Nacional de Saúde.

















