Milhares de pessoas voltaram a manifestar-se, esta quinta-feira à noite, dia 15, no centro do Porto, para exigir o direito a uma habitação digna e acessível, numa altura em que os preços das casas e das rendas continuam a dificultar a autonomia de milhares de portugueses, sobretudo dos mais jovens.
A concentração começou pelas 19:00, na Praça D. João I, ao som de 'Grândola, Vila Morena', de José Afonso. Os manifestantes percorreram depois várias ruas da cidade até à Câmara Municipal, onde exigiram respostas à crise habitacional e contestaram a atuação do executivo liderado por Pedro Duarte.
Entre as principais reivindicações estão a imposição de limites às rendas, o aumento da oferta de habitação pública, a recuperação de imóveis devolutos e o fim dos despejos.
Para muitos jovens, a dificuldade em encontrar casa a preços compatíveis com os salários impede a saída de casa dos pais e adia projetos de vida.
O protesto ganhou força após a intervenção da PSP, na madrugada de quinta-feira, para retirar tendas instaladas na praça. O movimento denunciou 39 feridos, dois deles graves, números que não foram confirmados pelas autoridades. A Polícia justificou a intervenção com comportamentos de resistência e confirmou um agente ferido.
Depois da marcha, os participantes regressaram à Praça D. João I, onde discutiram a continuidade da mobilização, entre palavras de ordem como "fascistas, fascistas, não passarão!" A manifestação acabou por ser desmobilizada durante a noite, com receio de elementos infiltrados da extrema-direita.
O movimento promete manter a luta por uma habitação acessível, num protesto que promete ultrapassar as fronteiras do Porto.

















