O economista português Ricardo Reis esteve a um passo de se tornar economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), mas a instituição terá recuado à última hora devido a declarações críticas sobre as tarifas impostas pela administração de Donald Trump. A revelação é feita esta quinta-feira pelo Financial Times, que cita três pessoas conhecedoras do processo.
Professor na London School of Economics (LSE), Ricardo Reis era o principal candidato para assumir as funções de conselheiro económico e diretor do Departamento de Investigação do FMI. Segundo o jornal britânico, a instituição, sediada em Washington, preparava já o anúncio da escolha quando decidiu alterar os planos.
Na origem da reviravolta terão estado posições públicas assumidas pelo economista português sobre a política comercial de Trump. Após o anúncio das chamadas tarifas do 'Dia da Libertação', em abril de 2025, Reis alertou que as taxas aduaneiras fariam aumentar os preços pagos pelos consumidores norte-americanos e poderiam provocar uma nova vaga de inflação.
O lugar acabou entregue a Silvana Tenreyro, também professora da LSE e antiga membro do Comité de Política Monetária do Banco de Inglaterra. A sua nomeação foi oficialmente anunciada pelo FMI a 7 de julho e Tenreyro assumiu funções a 10 de agosto, sucedendo ao francês Pierre-Olivier Gourinchas.
Contactado pelo Financial Times, o FMI recusou comentar a identidade dos candidatos, sublinhando apenas que o processo de seleção foi “rigoroso e competitivo”. O caso levanta, porém, questões sobre o peso político dos Estados Unidos, maior acionista do FMI, nas escolhas para um dos cargos económicos mais influentes da instituição.
















