O Natal, mais do que uma data do calendário, é um marco civilizacional. Representa uma herança espiritual, cultural e simbólica...
O Natal, mais do que uma data do calendário, é um marco civilizacional. Representa uma herança espiritual, cultural e simbólica que moldou a Europa durante séculos.
O seu progressivo esvaziamento do espaço público não é um acaso nem um simples reflexo da secularização. É um sintoma de algo mais profundo e inquietante:
Em nome de uma ideia distorcida de inclusão, multiplicam-se decisões que apagam referências cristãs, substituem símbolos históricos por neutralidades artificiais e tratam a tradição maioritária como um embaraço a esconder.
Entre nós, os idiotas úteis, sempre reconfortados pelo silêncio imbecil dos cobardes, começam já a antever a oportunidade de interditar o Natal no espaço público e nas instituições.
É o caso de uma junta de freguesia em Lisboa (Arroios) que assim que mudou de composição política (liderada agora pela coligação da esquerda radical com o PS) decidiu transformar o tradicional Mercado de Natal em “Mercado Comunitário de Inverno”, assim procurando eliminar o Natal da esfera pública.
Pior ainda, um Agrupamento Escolar em Pinhal Novo, Palmela, proibiu os cenários de Natal nas fotografias das crianças.
Estas e outras decisões foram tomadas pela calada e de sopetão, sem participação da população, num caso, ou dos pais das crianças, no outro.
Contando sempre com a indiferença do comentariado e dos referentes da Opinião Pública.
Mas o que os idiotas úteis não entendem é que, ao contrário do que justificam, esta autolimitação não nasce de um diálogo genuíno entre culturas, mas da pressão de minorias cada vez mais vocais, que aprenderam a usar a linguagem dos direitos, para condicionar o espaço comum.
O resultado não é coexistência, mas assimetria: uma cultura que se cala para não ofender, enquanto outras se afirmam em crescendo, e sem pudor.
Defender o Natal não é atacar ninguém.
Pelo contrário, defender o Natal é afirmar que a tolerância não pode ser construída sobre a renúncia unilateral. Porque uma sociedade que abdica dos seus símbolos fundadores perde o fio da sua narrativa coletiva e abre espaço ao vazio identitário, facilmente preenchido pelo ressentimento, móbil dos radicalismos.
A diversidade verdadeira exige raízes firmes, não uma planície cultural rasa onde tudo é permitido, exceto aquilo que nos trouxe até aqui.
Basta olhar para Londres, Berlim, Bruxelas e tantas cidades ocidentais, e olharmos para o que lá se passa, para assistirmos a um verdadeiro terrorismo de rua contra o Natal.
Este é o ponto a que nós, europeus, estamos a chegar: em lugar do Natal, a Jihad, em lugar do presépio, as bandeiras da Palestina e do Hamas, em lugar dos cânticos, a invasão de manifestações ruidosas.
A defesa da nossa civilização faz-se agora. Faz-se aqui, na nossa Europa.
Se a Europa deixar de reconhecer o Natal como parte legítima da sua identidade, não estará a ser mais aberta. Pelo contrário, estará apenas a confessar, perante o Mundo, a sua decadência e fragilidade.
Uma decadência que os outros leem como medo, irmão da vergonha.
E uma civilização que tem vergonha de si própria dificilmente conseguirá defender os valores que diz querer proteger.
Não nos tirem o Natal!