As temperaturas recorde deste verão fragilizaram os glaciares e as paredes rochosas do Monte Branco, o ponto mais alto dos Alpes. A multiplicação das quedas de pedras obrigou a limitar temporariamente o acesso pelas três rotas tradicionais. Guias e trabalhadores de montanha estão a remover destroços e a avaliar a segurança de percursos que durante décadas foram considerados relativamente estáveis.

O calor derrete o gelo que funciona como cimento natural nas fissuras das rochas, aumentando o risco de desmoronamento. Também a neve e os glaciares estão a recuar a um ritmo acelerado, alterando a paisagem e expondo zonas até agora protegidas. Os especialistas alertam que o fenómeno não representa apenas um problema para alpinistas e turistas.

A instabilidade das montanhas ameaça refúgios, teleféricos, aldeias e reservas de água dependentes do degelo. A situação do Monte Branco é um dos sinais mais visíveis das alterações climáticas na Europa.

Operadores turísticos admitem que a época do alpinismo poderá ter de ser deslocada para períodos menos quentes. A montanha continua acessível, mas a ideia de que os Alpes são estruturas imutáveis está a ruir juntamente com as suas paredes.