O Corredor do Lobito não deve limitar-se ao transporte de mercadorias entre o interior de África e o oceano Atlântico. A ambição das autoridades de Benguela é transformar este eixo numa plataforma de produção, armazenamento, transformação industrial, distribuição e comércio, capaz de criar empregos e captar novos investimentos.

A estratégia foi apresentada pelo governador de Benguela, Manuel Nunes Júnior, durante a abertura da 15.ª Feira Internacional de Benguela. O governante defendeu que uma parte crescente do valor associado aos produtos transportados pelo corredor deve ser criada na própria província.

A ligação entre o Porto do Lobito, o Caminho-de-Ferro de Benguela, a República Democrática do Congo e a Zâmbia permite reduzir custos logísticos e aproximar produtores de diferentes mercados. Contudo, o verdadeiro salto económico dependerá da instalação de fábricas, armazéns, centros logísticos e serviços de apoio ao longo do percurso.

A Feira Internacional de Benguela reuniu 415 empresas, entre participações diretas e indiretas, incluindo representantes de Portugal, Namíbia e República Democrática do Congo. O certame pretende funcionar como espaço de aproximação entre investidores, empresários e decisores públicos.

O desafio é converter o interesse internacional em projetos concretos que integrem empresas locais. Sem transformação industrial, o Corredor do Lobito arrisca continuar a ser apenas uma via por onde passam matérias-primas. Com investimento produtivo, poderá tornar-se um instrumento de desenvolvimento regional e integração económica africana.