Peritos independentes das Nações Unidas apelaram à comunidade internacional para agir "com urgência" perante o agravamento da crise humanitária em Cuba, alertando para o risco de a ilha se transformar numa "Gaza silenciosa". Numa declaração conjunta, os especialistas consideram que o reforço das sanções dos Estados Unidos está a agravar as dificuldades económicas e sociais enfrentadas pela população.
A expressão recupera uma caracterização feita recentemente por congressistas democratas norte-americanos que visitaram Cuba. Segundo os peritos, as novas medidas anunciadas por Washington em 23 de julho, dirigidas a empresas do setor energético, dificultam ainda mais a aquisição de combustível, incluindo para fins humanitários, agravando a escassez que afeta o país.
Os especialistas recordam que Cuba enfrentou recentemente o terceiro grande apagão nacional e alertam para o colapso simultâneo de vários serviços essenciais: "Os setores da energia, dos transportes, da irrigação e dos serviços básicos estão a falhar simultaneamente, afetando desproporcionalmente as mulheres, as crianças, os idosos e outros grupos vulneráveis."
Na declaração, os peritos pedem aos Estados Unidos que ponham termo às "ameaças e atos hostis" contra a soberania cubana e defendem que o Conselho de Segurança e a Assembleia Geral da ONU tratem a situação como uma questão de paz e segurança internacionais. O documento é subscrito, entre outros, pela relatora especial sobre o impacto negativo das medidas coercivas unilaterais nos direitos humanos, Zaina Jallad, e pelo relator especial sobre o direito ao desenvolvimento, Surya Deva.
Cuba atravessa há vários anos uma profunda crise económica, marcada pela escassez de alimentos, medicamentos e combustível, elevada inflação e frequentes cortes de eletricidade. Havana atribui grande parte destas dificuldades ao embargo e às sanções impostas pelos Estados Unidos, há 64 anos, enquanto Washington sustenta que a política de pressão visa responder às violações dos direitos humanos e à ausência de reformas democráticas no país.

















