Quatro meses depois de Donald Trump regressar à Casa Branca e de reforçar as sanções contra Cuba, a ilha enfrenta uma das mais graves crises energéticas da sua história recente. O endurecimento do embargo, que incluiu restrições ao fornecimento de petróleo venezuelano, agravou uma situação já frágil, marcada por apagões frequentes, escassez de combustível e uma rede elétrica incapaz de responder às necessidades da população.

Perante o colapso do sistema, os cubanos encontraram formas criativas de garantir o fornecimento de energia. Baterias de lítio, triciclos elétricos adaptados, pequenos geradores e painéis solares improvisados tornaram-se parte do quotidiano, permitindo manter frigoríficos, ventiladores, iluminação e até pequenos negócios em funcionamento durante os longos cortes de eletricidade.

Em Havana, restaurantes, oficinas e habitações recorrem a soluções autónomas para contornar as falhas da rede pública. O recurso à energia solar tem ganho expressão, impulsionado também pelo apoio da China, que tem financiado a instalação de milhares de painéis fotovoltaicos. O objetivo do Governo cubano é reduzir a dependência dos combustíveis fósseis e fazer com que, até meados do século, uma parte significativa da eletricidade seja produzida a partir de fontes renováveis.

Contudo, esta adaptação está longe de ser acessível a todos. Os equipamentos continuam a representar um investimento elevado para uma população com salários muito baixos, aprofundando as desigualdades entre quem consegue adquirir sistemas alternativos e quem permanece dependente de uma rede elétrica cada vez mais instável.

Apesar das dificuldades, a população continua a demonstrar uma notável capacidade de resistência. Numa ilha habituada a décadas de escassez, a criatividade voltou a transformar-se na principal resposta à crise, permitindo que milhares de famílias e pequenos negócios continuem a funcionar, mesmo perante um dos mais duros períodos energéticos da história recente de Cuba.