Luís Neves, de 61 anos, quebrou o silêncio sobre as polémicas que envolvem a gestão de um atrelado apreendido num processo de tráfico de droga e as obras realizadas na sua propriedade em Odemira. Numa conferência de imprensa, realizada esta quarta-feira, dia 29, o ministro da Administração Interna assegurou que "não foi desviado qualquer bem, não foi comprometida qualquer prova, ninguém foi beneficiado", rejeitando qualquer ligação entre a decisão tomada e o processo de tráfico de droga.

Relativamente ao atrelado, o governante explicou que a sua deslocação resultou de uma decisão de gestão destinada a evitar custos elevados para o Estado. Segundo Luís Neves, a destruição do atrelado e do respetivo material representaria uma despesa de cerca de 150 mil euros, pelo que optou por armazená-lo num local seguro, garantindo que a medida permitiu poupar recursos públicos. Apesar de reconhecer uma "pequena irregularidade" documental, afirmou que tomaria a mesma decisão se voltasse a enfrentar a mesma situação.

Durante os esclarecimentos, o ministro respondeu também às questões relacionadas com as obras na sua propriedade em Odemira, negando qualquer favorecimento por parte do empreiteiro envolvido e assegurando que todas as intervenções foram devidamente financiadas através de crédito bancário. Luís Neves afirmou ainda que os materiais provenientes da Infraestruturas de Portugal foram pagos e comprometeu-se a regularizar a situação da piscina identificada como tanque junto da Câmara Municipal de Odemira.

No final da conferência, o governante reiterou que sempre atuou dentro da legalidade e rejeitou a existência de qualquer indício de crime nas decisões tomadas enquanto diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ).