Em poucos dias, três aviões da TAP, que partiram de Lisboa, foram obrigados a interromper as viagens e a realizar aterragens de emergência. As diferentes situações colocaram a companhia aérea sob forte escrutínio. No entanto, em declarações exclusivas ao 24Horas, o diretor do Aeródromo de Cascais, Jorge Roquette Cardoso, explica que apesar de terem existido "de facto três incidentes num curto espaço temporal", estes "não beliscam" a reputação da transportadora.

Ainda assim, o especialista considera que é importante "desmistificar aquilo que se passou". De acordo com a explicação dada por Jorge Roquette Cardoso, foi um aviso "de temperatura elevada num dos porões", que levou a tripulação da TAP a aterrar de emergência a aeronave nas Lajes, nos Açores, no domingo, dia 2. O diretor do Aeródromo de Cascais garante que a decisão foi tomada de acordo com as regras de segurança que estão estabelecidas no mundo de aviação. "Conclusão: veio-se a verificar que não havia nada, não havia nenhum incidente, não havia nenhuma fonte de ignição, não havia absolutamente nada que se estivesse a passar com o porão. Mas podia ter-se uma ignição no porão, podia haver o início do incêndio", explicou.

Anteriormente, no sábado, 1, um voo com destino a Curitiba, no Brasil, regressou a Lisboa cerca de meia hora depois de ter descolado do Aeroporto Humberto Delgado. "Daquilo que me foi possível apurar, o que se passou é que o avião estava na sua subida, e na sua subida o avião tem que fazer a sua pressurização de cabine e a pressurização não estava a ocorrer", contou Jorge Roquette Cardoso. O especialista em aviação explicou que qualquer avião não pode voar acima dos 10 mil pés numa cabine não pressurizada, já que "não há oxigênio suficiente".

Por sua vez, na quinta-feira, 30 de julho, a tripulação de um voo da TAP percebeu que o motor esquerdo da aeronave tinha um nível de óleo baixo. "Isto faz com que seja necessário desligar esse motor, não há hipótese, sob pena de ter ali um dano ou uma situação mais complicada. O motor foi desligado, fez-se uma operação de monomotor, já que todos estes aviões estão preparados para voar com um só motor", disse.

Apesar de reconhecer que as três situações podem "estar a perturbar um bocadinho as pessoas", Jorge Roquette Cardoso garante que estes imprevistos "são coisas que acontecem".

"Estamos a falar da TAP, que tem uma manutenção de altíssima credibilidade a nível mundial. Portanto, tem montes de clientes para além da TAP, fora da TAP, tem um expertise muito grande com a área de motores, um expertise muito grande com a área de toda a manutenção dos aviões. Portanto, continuamos a falar de uma companhia aérea que tem uns estándares de manutenção elevadíssimos", defende.

Assim, Jorge Roquette Cardoso salienta que as três situações se trataram de "um conjunto de incidentes", que em "nada beliscam" a companhia aérea portuguesa.