O Governo quer avançar com uma reestruturação da RTP e admite rever as obrigações de serviço público da estação, poucos dias depois de o Chega defender a sua privatização.

O ministro da Presidência, António Leitão Amaro, defendeu no Parlamento a necessidade de uma reorganização mais ampla da RTP, apontando para uma maior aposta no digital e para uma revisão da atual oferta do grupo público de comunicação social.

Segundo o governante, já está em curso um processo de reestruturação, que inclui um plano de saídas voluntárias e medidas para reforçar a sustentabilidade financeira da empresa.

O Executivo da AD lembra ainda que já injetou 20 milhões de euros na RTP, mas considera que são necessárias mudanças estruturais para garantir a viabilidade futura da estação.

As declarações surgem menos de uma semana depois de André Ventura ter anunciado a intenção do Chega de apresentar, em setembro, uma proposta para privatizar a RTP.

Questionado sobre a possibilidade de aumentar a Contribuição para o Audiovisual, paga pelos consumidores na fatura da eletricidade, Leitão Amaro foi claro: "A resposta é reestruturação e não aumento."

O ministro defendeu, no entanto, a preservação de áreas consideradas essenciais, como a informação, a proximidade às comunidades portuguesas no estrangeiro e a dimensão internacional do serviço público.

Segundo António Leitão Amaro, a discussão sobre o futuro da RTP deverá envolver não só a administração da empresa, mas também o Parlamento e a sociedade portuguesa.